Precisamos de pontes de confiança, de diálogo e de fé

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O Papa Leão tem-nos convidado a viver uma liderança que nasce do serviço e a acreditar que a luz da Fé pode iluminar o caminho da inovação. Leão desafia-nos a humanizar a economia, a digitalizar com consciência e a colocar o amor no centro das decisões, como critério de gestão

POR SALVADOR MATHIAS

2025 foi um ano que nos desafiou profundamente – nos negócios, na fé e na forma como nos relacionamos com o mundo. A inteligência artificial acelerou decisões, aproximou distâncias, mas também gerou novas inquietações, não só sobre o lugar do humano num tempo dominado por algoritmos, mas também sobre o valor da verdade. No meio dessa mudança veloz, a Doutrina Social da Igreja recordou-nos algo essencial: o valor da pessoa nunca pode ser substituído pela eficiência da máquina.

As guerras, físicas e comerciais, continuaram a marcar as notícias e a economia, revelando feridas antigas e novos interesses. Mas também, no silêncio de muitos, floresceram gestos de paz e cooperação: empresas que abriram programas de requalificação tecnológica para trabalhadores mais velhos, comunidades cristãs que acolheram refugiados com dignidade, empresários que criaram fundos solidários para apoiar famílias afetadas pela inflação ou pela guerra. São sinais discretos, mas poderosos, do Evangelho vivo no coração da sociedade.

A polarização continuou visível em todos os setores: política, economia, cultura e até na fé. Nesse sentido, este ano ensinou-nos uma verdade que o novo Papa tem repetido com humildade e coragem: ser cristão hoje é ser ponte e não trincheira. Ser ponte é escutar antes de reagir, dialogar antes de julgar, construir antes de dividir. É olhar para o outro – colega, cliente, colaborador – como irmão e não como ameaça. Porque é aqui que sempre residiu o segredo do crescimento sustentado – na partilha, no trabalho em conjunto e na globalização (ainda que com os seus desafios, que não podem ser esquecidos – e muito menos, ignorados).

O Papa Leão tem-nos convidado a viver uma liderança que nasce do serviço e a acreditar que a luz da Fé pode iluminar o caminho da inovação. Leão desafia-nos a humanizar a economia, a digitalizar com consciência e a colocar o amor no centro das decisões, como critério de gestão.

Ao entrarmos em 2026, somos chamados a levar esta visão para o futuro: construir pontes nas nossas empresas, entre gerações, entre setores e entre nações – repetindo a receita de sucesso: a partilha. Com pontes de confiança, de diálogo e de fé.

Que o novo ano nos encontre com coragem para reconciliar o que o mundo dividiu — e com esperança para ver, em cada desafio, uma oportunidade de servir e de amar.